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As redes sociais são emprestadas, o site é teu
O Instagram é um palco excelente, mas é de outra pessoa. A pergunta não é «redes ou site» — é o que acontece ao teu trabalho se o dono do palco mudar as regras amanhã.
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Em resumo
- Não precisas de site se o teu trabalho chega a quem tem de chegar pelas redes e pelo passa-palavra, tens a agenda cheia, a ficha do Google em dia e ninguém te pede detalhes que não caibam numa legenda. Nesse caso, arruma primeiro a ficha do Google.
- Precisas quando tens de explicar preços, condições ou um programa, quando te comparam antes de te escreverem, quando trabalhas para quem não fala português, ou quando queres receber pedidos e marcações organizados.
- A tua conta nas redes é emprestada: a plataforma decide quem vê o que publicas e pode suspendê-la sem aviso. O domínio e a lista de emails são teus — e o site é onde essas duas coisas vivem.
- Não tem de ser um site de dez páginas: uma página só, com o essencial, resolve a maior parte destes casos.
O que as redes fazem bem
Para mostrar trabalho a acontecer, chegar a gente nova e manter conversa com quem já te segue, não há nada melhor. Um site não substitui isso e não deve tentar. O que as redes não fazem é guardar nada por ti.
Quando não precisas mesmo
Há casos em que um site não acrescenta nada, e onde o dinheiro rende mais noutro sítio. Se te reconheces aqui, fica como estás.
- O teu trabalho chega a quem tem de chegar pelas redes e pelo passa-palavra, e quem te contacta já sabia de ti antes de pesquisar.
- Tens a agenda, as turmas ou as encomendas cheias — não há lugares para encher.
- A tua ficha do Google já tem fotos actuais, horário e contactos certos e avaliações recentes.
- Ninguém te pede preços por escrito, um programa, um portfólio completo ou detalhes que não caibam numa legenda.
Emprestado quer dizer isto
A tua página é uma conta numa plataforma que decide quem vê o que publicas. Muda o algoritmo e parte de quem te segue deixa de te ver, sem teres mudado nada. Uma conta pode ser suspensa por engano, e não há a quem ligar. Acontece pouco, mas quando acontece leva anos de trabalho à frente.
Um domínio e uma lista de emails são as duas coisas que ficam mesmo tuas. Quem te segue numa rede é seguidor da rede; quem te deixa o email fala contigo directamente. O site é o sítio onde essas duas coisas vivem.
As quatro situações em que as redes não chegam
Não é uma questão de imagem. São coisas concretas que o Instagram e a ficha do Google não fazem, por desenho.
- Precisas de explicar preços, condições ou um programa. Uma legenda não aguenta uma tabela de aulas, e ninguém quer perguntar o preço por mensagem privada.
- Quem te procura compara antes de escrever. Os pais que escolhem um professor de música, a empresa que escolhe um fotógrafo: abrem três ou quatro opções e ficam com quem explica melhor o que faz.
- Trabalhas para quem não está em Portugal, ou não fala português. Uma publicação em duas línguas fica a meio caminho de ambas; um site em português e inglês serve as duas.
- Precisas de receber pedidos organizados — marcações, pedidos de orçamento, perguntas sobre aulas — em vez de os ir buscar a três caixas de mensagens diferentes.
O meio-termo que quase ninguém propõe
Não tem de ser um site de dez páginas. Uma página só, com o essencial — o que fazes, para quem, alguns trabalhos escolhidos, preços ou intervalos, onde estás e um botão para falar contigo — resolve a maior parte destes casos e mantém-se de pé durante anos. As redes continuam a fazer o que fazem bem, e passam a apontar para um sítio que é teu.
Perguntas frequentes
O site substitui as redes sociais?
Não, e não deve. As redes servem para te descobrirem e para manteres presença; o site serve para decidirem. São passos diferentes da mesma viagem.
E o link na bio, não chega?
Um link na bio é uma lista de ligações: serve para encaminhar, não para explicar. Se quem lá carrega precisa de perceber o teu trabalho, os preços ou as condições antes de decidir, precisa de uma página com isso.
E se eu não tiver tempo para actualizar mais uma coisa?
Então o site tem de ser feito para não precisar de actualização constante. O que fazes, para quem e como te contactar muda pouco. Se o site depende de publicares nele todas as semanas, foi mal pensado — isso é trabalho das redes.
A ficha do Google não chega para aparecer nas pesquisas?
Chega para quem pesquisa o teu nome ou procura perto de onde estás. Não chega para quem procura o que fazes sem saber que existes, nem para quem pesquisa a partir de outro país.