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As redes sociais são emprestadas, o site é teu

O Instagram é um palco excelente, mas é de outra pessoa. A pergunta não é «redes ou site» — é o que acontece ao teu trabalho se o dono do palco mudar as regras amanhã.

6 min de leituraRevisto a

Em resumo

  • Não precisas de site se o teu trabalho chega a quem tem de chegar pelas redes e pelo passa-palavra, tens a agenda cheia, a ficha do Google em dia e ninguém te pede detalhes que não caibam numa legenda. Nesse caso, arruma primeiro a ficha do Google.
  • Precisas quando tens de explicar preços, condições ou um programa, quando te comparam antes de te escreverem, quando trabalhas para quem não fala português, ou quando queres receber pedidos e marcações organizados.
  • A tua conta nas redes é emprestada: a plataforma decide quem vê o que publicas e pode suspendê-la sem aviso. O domínio e a lista de emails são teus — e o site é onde essas duas coisas vivem.
  • Não tem de ser um site de dez páginas: uma página só, com o essencial, resolve a maior parte destes casos.

O que as redes fazem bem

Para mostrar trabalho a acontecer, chegar a gente nova e manter conversa com quem já te segue, não há nada melhor. Um site não substitui isso e não deve tentar. O que as redes não fazem é guardar nada por ti.

Quando não precisas mesmo

Há casos em que um site não acrescenta nada, e onde o dinheiro rende mais noutro sítio. Se te reconheces aqui, fica como estás.

  • O teu trabalho chega a quem tem de chegar pelas redes e pelo passa-palavra, e quem te contacta já sabia de ti antes de pesquisar.
  • Tens a agenda, as turmas ou as encomendas cheias — não há lugares para encher.
  • A tua ficha do Google já tem fotos actuais, horário e contactos certos e avaliações recentes.
  • Ninguém te pede preços por escrito, um programa, um portfólio completo ou detalhes que não caibam numa legenda.

Emprestado quer dizer isto

A tua página é uma conta numa plataforma que decide quem vê o que publicas. Muda o algoritmo e parte de quem te segue deixa de te ver, sem teres mudado nada. Uma conta pode ser suspensa por engano, e não há a quem ligar. Acontece pouco, mas quando acontece leva anos de trabalho à frente.

Um domínio e uma lista de emails são as duas coisas que ficam mesmo tuas. Quem te segue numa rede é seguidor da rede; quem te deixa o email fala contigo directamente. O site é o sítio onde essas duas coisas vivem.

As quatro situações em que as redes não chegam

Não é uma questão de imagem. São coisas concretas que o Instagram e a ficha do Google não fazem, por desenho.

  • Precisas de explicar preços, condições ou um programa. Uma legenda não aguenta uma tabela de aulas, e ninguém quer perguntar o preço por mensagem privada.
  • Quem te procura compara antes de escrever. Os pais que escolhem um professor de música, a empresa que escolhe um fotógrafo: abrem três ou quatro opções e ficam com quem explica melhor o que faz.
  • Trabalhas para quem não está em Portugal, ou não fala português. Uma publicação em duas línguas fica a meio caminho de ambas; um site em português e inglês serve as duas.
  • Precisas de receber pedidos organizados — marcações, pedidos de orçamento, perguntas sobre aulas — em vez de os ir buscar a três caixas de mensagens diferentes.

O meio-termo que quase ninguém propõe

Não tem de ser um site de dez páginas. Uma página só, com o essencial — o que fazes, para quem, alguns trabalhos escolhidos, preços ou intervalos, onde estás e um botão para falar contigo — resolve a maior parte destes casos e mantém-se de pé durante anos. As redes continuam a fazer o que fazem bem, e passam a apontar para um sítio que é teu.

Perguntas frequentes

O site substitui as redes sociais?

Não, e não deve. As redes servem para te descobrirem e para manteres presença; o site serve para decidirem. São passos diferentes da mesma viagem.

E o link na bio, não chega?

Um link na bio é uma lista de ligações: serve para encaminhar, não para explicar. Se quem lá carrega precisa de perceber o teu trabalho, os preços ou as condições antes de decidir, precisa de uma página com isso.

E se eu não tiver tempo para actualizar mais uma coisa?

Então o site tem de ser feito para não precisar de actualização constante. O que fazes, para quem e como te contactar muda pouco. Se o site depende de publicares nele todas as semanas, foi mal pensado — isso é trabalho das redes.

A ficha do Google não chega para aparecer nas pesquisas?

Chega para quem pesquisa o teu nome ou procura perto de onde estás. Não chega para quem procura o que fazes sem saber que existes, nem para quem pesquisa a partir de outro país.

E se quiseres que seja eu a fazer

Ajudo empresas a decidir onde a IA vale mesmo a pena, construo equipas de agentes autónomos e o software à volta disso — aplicações à medida e sites.

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